Estrada dos Tropeiros

Quem viaja pela Rodovia Presidente Dutra, São Paulo ao Rio de Janeiro , passa sem cerimônia pela placa do km 36 que indica Rodovia dos Tropeiros, caminho utilizado do século XVII até XIX, nas viagens dos tropeiros na região Sudeste e Sul. Há várias Estradas dos Tropeiros no Brasil, mas a mais importante é a atual SP 068, ligando Silveiras até Bananal. O caminho percorrido pelos tropeiros serviu de base para a antiga Rio – São Paulo, que utilizou as trilhas como orientação para chegar vindo da capital Rio de Janeiro, até o Vale do Paraíba.
Foi pela Estrada dos Tropeiros que D. Pedro I passou na viagem entre Rio e São Paulo, no ano de 1822, quando o Brasil conquistou sua independência. A história, está presente em cada curva. No seu trajeto,  entre Silveiras e Bananal, encontram-se cinco cidades do Circuito Vale Histórico e ainda Queluz , a única a margem da Rodovia Presidente Dutra.

    Pode-se dizer que a Estrada dos Tropeiros é o Circuito Turístico das Cidades Históricas do Estado de São Paulo, o cenário que oferece permite, uma produção cinematográfica, resgatando a história do Tropeirismo. Como se não bastasse, a natureza é generosa na região, tendo como destaque o Parque Nacional da Serra da Bocaina, que se estende pelos cinco municípios.

    Para quem gosta de viajar e pode dispor de alguns dias, vale a pena pegar a Estrada, percorrê-la passeando nas cidades conhecendo as fazendas, seus atrativos,  seguramente o passeio irá aumentar seu saldo de conhecimento sobre a história do Brasil.
Quando passar pelo km 36, não resista à tentação. Pegue a Estrada dos Tropeiros, seguindo o “Caminhos da Corte”  você percorrerá um caminho  margeado pela natureza, repleto de atrações; certamente  se sentirá diferente.

SILVEIRAS – A PRIMEIRA ESCALA

Percorrendo a Estrada dos Tropeiros, a partir da saída 34 ou 36  Rodovia Presidente Dutra, a primeira cidade é Silveiras onde seus habitantes sempre receberam bem os visitantes. Por ali passavam as tropas que viajavam entre Rio e São Paulo e as que vinham de Minas Gerais em direção á Parati, ainda existem traços do Caminho Novo, de 1725, usado nas viagens entre Rio e São Paulo.
Conheça a culinária tropeira, almoce em um dos restaurantes da cidade.
Em 1800, quando por lá chegaram as famílias Rego Barbosa, Rego da Silveira, Antonio da Silveira Guimarães, Bueno da Cunha. Por serem famílias numerosas, os Silveiras acabaram dando nome ao lugar, pois os viajantes dirigiam-se para as bandas dos Silveiras. Em 1830, tornou-se freguesia do município de Lorena, surgindo a Paróquia de Nossa Senhora da Conceição de Silveiras. Em 1842, tornou-se Vila mas logo foi incorporada à Vila de Areias. Assistiu a Revolução Liberal de 1842, depois se tornou cidade em 1864. No Ciclo do Café teve seu auge, chegando a registrar 27.000 habitantes, hoje tem pouco mais de 5.000 habitantes e é conhecida pela produção de artesanato – pássaros da fauna brasileira esculpidos em madeira e pintados à mão.
Visite o atelier e café Entre no Paraíso, conheça o artesanato produzido na região e saboreie um café expresso preparado com cafés nobres da Serra da Mantiqueira.
Silveiras tem o melhor acesso para os “Campos da Bocaina”, região de campo nativo com altitude que pode chegar acima de 1800 m.
As melhores opções de hospedagem no município estão no alto da serra da Bocaina:
– Ares da Bocaina, turismo rural com charme e conforto
– Sitio Pinhal, turismo rural e comida caipira
– Pousada da Joaninha, turismo ecológico à 1670 metros do nível do mar.

Seguindo pela Estrada dos Tropeiros chega-se a Areias, quatro léguas depois.

AREIAS – ONDE O IMPERADOR D.PEDRO II POUSAVA

O portal de Areias esta localizado na estrada que leva à Águas da Marambaia, um sitio na Serra da Mantiqueira, no município de Queluz, é o melhor local do Vale Histórico para um banho de cachoeira com a família, o restaurante e a pousada próximos às corredeiras oferecem: comida preparada no fogão à lenha e chalés com privacidade absoluta para seu conforto e estadia, não deixe de conhecer.
Em Areias as indicações de hospedagem são:
– Na cidade, a charmosa Pousada Caminhos da Bocaina,
– Se você preferir descansar em uma fazenda, a indicação é a Pousada da Fazenda Sitio Velho conforto absoluto na paisagem da Mata Atlântica. O restaurante da Fazenda atende não hospedes para as refeições, necessário agendamento. Os atrativos: cachoeira, passeios, trilhas e cavalgadas estão disponíveis para não hospedes,  clientes do restaurante.
Os tropeiros que pousavam na região, no final do século XVII, principalmente em viagem rumo ao Porto de Mambucaba, próximo de Paraty, foram o ponto de partida para o surgimento de Areias que, no século XIX, chegou a ser uma das cidades mais ricas do Estado de São Paulo. Inicialmente, chamou-se Freguesia de Santana da Paraíba Nova. Depois, em 1801 ganhou a denominação de Distrito da Paz. Em 1816, D João VI criou a única vila no estado, denominada de São Miguel das Areias, em homenagem a seu filho D. Miguel.
O café trouxe mais prosperidade à região. Fazendas suntuosas foram construídas e os Barões do Café vinham passar os fins de semana na cidade. Lá ainda existe o Hotel Santana, cuja construção data de 1792, antiga propriedade de um nobre, acolheu D. Pedro II em suas viagens e sediou vários saraus.
Durante a Revolução de 1842 perdeu suas garantias constitucionais e foi anexada ao Estado do Rio de Janeiro, por um ano. Em 1857 ganhou o título de cidade.
O casario colonial da cidade revela sua pujança no século XIX. Os barões do Café de Areias foram os primeiros a trazer professores estrangeiros para educar seus filhos. A postura aristocrática deixou raízes no comportamento dos habitantes.
A cidade é repleta de construções históricas. Merecem destaque, o antigo fórum  que recebia os vereadores no andar superior, a construção do prédio é de 1825 e guarda precioso acervo da cidade , inclusive de moradores ilustres como seu Promotor Monteiro Lobato, hoje o casarão é a Casa de Cultura, a cadeia que funcionava no térreo, hoje é ocupada por uma biblioteca  A Igreja Matriz, cuja obras começaram em 1792 só foi terminada em 1874 é outro exemplar da religiosidade e imponência da cidade. Próximo do prédio está a Velha Figueira, cujos primeiros registros datam de 1748. No local, uma placa de 1822 atesta a passagem de D. Pedro I quando declarou nossa independência. Hoje, Areias tem cerca de 4.000 habitantes, mas conserva a majestade de seus tempo áureos.

Continuando a viagem, chega-se a São José do Barreiro.

SÃO JOSÉ DO BARREIRO – MUNICÍPIO SEDE DO PARQUE NACIONAL DA BOCAINA

O nome Barreiro revela um atoleiro que exigia muito esforço dos tropeiros nos dias de chuva. Já São José é fruto da devoção do Coronel José Ferreira de Souza e do alferes José dos Santos, que ergueram, em 1833 uma Capela dedicada ao santo.
Parentes e amigos dos fundadores passaram a construir residências próximas do local, dando início a um povoado, que foi elevado à condição de Freguesia em 1859 e a cidade em 1885. O patrimônio histórico é importante, além dos casarões, do cemitério com túmulos de escravos e a Igreja Matriz da cidade, no município encontram-se sedes de fazendas da época do café:  “Fazenda São Francisco’ com hospedagem e restaurante recebe para visitas guiadas somente com agendamento prévio ,  “Fazenda Pau D’Alho” aberta a visitação guiada, “Fazenda da Barra”  restaurante e hospedagem, aberta à visitação guiada somente com agendamento prévio. Em São José do Barreiro esta o portal e a sede do Parque Nacional da Serra da Bocaina ,  para conhecer o Parque que  no alto da serra se estende por todos os municípios do Vale Histórico, a melhor opção são os passeios organizados pela MW Trekking empresa especializada em trilhas e passeios na região.
No caminho para Arapeí, faça uma escala na bucólica Formoso, visite a Cachoeira do Formoso e o “Clube dos 200”, construído na época da república por Washington Luiz e 199 sócios, era o local onde se reuniam o presidente da República e o governador do estado de São Paulo,  hoje é um charmoso hotel fazenda com um ótimo restaurante, recebe quem está passeando na Estrada dos Tropeiros para visitas guiadas.
Em São José do Barreiro estas são as melhores opções de hospedagem:
– Fazenda da Barra
– Fazenda São Francisco
– Hotel Fazenda Clube dos 200

ARAPEÍ – A MAIS NOVA CIDADE DO VALE DO PARAÍBA

O Roteiro Caminhos da Corte na Estrada dos Tropeiros, surpreende com uma pequena cidade, com pouco mais de 3.000 habitantes, Arapeí foi um povoado que assistiu ao ciclo dos Barões do Café, foi parte de Bananal e quem deu origem ao nome foi a Capela de Alambary.
Na área rural, cachoeiras convidam a banhos refrescantes, as grutas são outras atrações de Arapeí, também conhecida como Cidade Natureza. está sendo redescoberta pelos amantes da natureza, que abrem mão do conforto tradicional e são os primeiros privilegiados a conhecer as obras do Criador na região.
Para realizar passeios em Arapeí e conhecer o sertão da Serra da Bocaina entre em contato com a Sala Verde  e programe o seu lazer.
Saindo da praça, seguindo 4 quilômetros por uma estrada de terra está a pedra preciosa do turismo da região, o Restaurante da D. Licéia uma das “500 delicias do Turismo no Brasil” – revista Veja, localizado próximo a pedra do Caxambu local onde a natureza resolveu criar um belo cenário para ser admirado enquanto se saboreia as delícias da culinária local.
A melhor opção de hospedagem em Arapeí é a Pousada da Mata, descanso e natureza no Vale Histórico.

Mas todas as estradas levam a Bananal, a última parada do trecho paulista da Estrada dos Tropeiros.

BANANAL – A CIDADE QUE FINANCIOU O BRASIL

Em Bananal hospede-se no Hotel Fazenda Três Barras, tratamento personalizado no Vale Histórico.
Para quem está seguindo o Roteiro Caminhos da Corte chegando à Bananal vindo de Arapeí, na margem da Estrada dos Tropeiros no quilômetro 309 está a Fazenda dos Coqueiros construída em 1855, na época produtora de café, hoje restaurada é um atrativo turístico e esáa aberta à visitação guiada.
A origem de Bananal está ligada à construção de uma estrada alternativa que permitisse viajar entre a capital do Brasil: Rio de Janeiro e São Paulo. No final do século XVIII, mais precisamente em 1785, João Barbosa de Camargo e sua esposa Maria Ribeiro de Jesus, construíram a capela para Bom Jesus do Livramento, que veio a ser o padroeiro da cidade.
Com o ciclo do Café, Bananal tornou-se uma potência econômica da época, a ponto de já no Brasil Império ter sido necessário o aval de fazendeiros da região, para que Bancos Europeus, emprestassem dinheiro ao Brasil. Durante sua época áurea, Bananal assistiu à construção de inúmeras casas e fazendas, cuja opulência e refinamento confirmam o poderio econômico dos barões do café.
Em 1832 passou a ser cidade. O nome, segundo alguns, provém da expressão indígena banani, que significaria sinuoso. Há outros que alegam que na região havia muitas plantações de banana. A riqueza da cidade era tanta, que chegou, durante bom tempo, a ter moeda própria, financiar a construção de uma ferrovia e importar uma estação ferroviária pré-fabricada da Bélgica, exemplar único na América Latina. Dentre os fazendeiros mais ricos, estava Manoel Aguiar Vallim, dono da Fazenda Resgate, que, ao morrer em 1878 teria 1% de todo papel moeda existente no Brasil, construiu na cidade o Solar Aguiar Vallim patrimônio do Vale Histórico, restaurado, é aberto à visitação. Sua fazenda, foi construída com requintes que só haviam nos palácios da Corte.
No final do século XIX, o fim da escravidão, os sinais de cansaço da terra, novas estradas de ferro, foram encerrando o ciclo de desenvolvimento de Bananal. Depois, com a inauguração da Dutra, a cidade ficou fora do circuito Rio- São Paulo. Hoje devido ao seu potencial histórico, rico artesanato e grande número de atrativos turísticos, Bananal começou a dar sinais de recuperação. Situada a apenas duas horas do Rio de Janeiro e 4h de São Paulo, a cidade possui atrações históricas, naturais e culturais que lhe garantem um futuro brilhante.
Além da Estação Ferroviária e da Fazenda Resgate, absolutamente imperdíveis, conheça em Bananal a Chácara Santa Inês onde além de serem produzidos doces artesanais é destilada a Cachaça Minuca considerada uma das melhores do Brasil, continuando nosso passeio veja os sobrados da rua Manoel Aguiar, as inúmeras construções históricas espalhadas pela cidade, a Igreja Matriz, orgulho de seus mais de 15.000 habitantes, construída em 1811  e a Pharmácia Popular, que funciona desde 1830, surgiu incialmente como Pharmácia Imperial, mas com a chegada da República, mudou de nome. É a mais antiga do país em funcionamento, com peças únicas do século XIX, aberta à visitação. As Fazendas são outro patrimônio fantástico, a mais antiga da região é a Fazenda Boa Vista, cenário de filmes e novelas, hoje é um hotel com 32 apartamentos e restaurante típico da região.
Como em todos os outros municípios, no alto da serra encontra-se o Parque Nacional da Serra da Bocaina, sendo que em Bananal foi construida uma estação ecológica, onde o visitante encontra inúmeras paisagens selvagens e inesquecíveis.

Escolha este destino como a sua próxima viagem.

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