Turismo rural

Turismo no interior aumenta a circulação de capital no comércio, contribui para melhoria da infraestrutura no campo e pode atenuar êxodo rural.

O turismo rural não é um fenômeno novo no Brasil, o interesse crescente pelas atividades recreativas no meio já se manifestava no século XIX, na Europa. Esse crescimento no país é originário das classes média e alta que atribuem grande importância aos valores e identidade cultural locais e, ao mesmo tempo, possibilidade de desenvolvimento econômico regional.

Esquema com definição de turismo rural (Foto: Colégio Qi)
Esquema com definição de turismo rural (Foto: Colégio Qi)

Turismo rural é uma realidade e conceito diferente de outros, como o “turismo verde”, “turismo ecológico”, “agroturismo”, “ecoturismo”, etc. Embora em alguns destes apresentem características similares, como pequenas escalas ao ar livre, proporcionando ao visitante o contato com a natureza , com a herança cultural das comunidades do campo e as chamadas sociedades e práticas “tradicionais”.

Para alguns autores, turismo rural não significa atividade “urbana”, pois faz referência ao meio rural. Como por exemplo, clubes de campo, grandes hotéis, spa’s (centros ou clínicas de tratamento para obesidade), vilas e cidades de veraneio, localizados no interior.

Para entender o que é turismo rural, é preciso destacar os aspectos do meio rural, como propriedades de médio e pequeno porte, produção de subsistência com certos excedentes, técnicas agrícolas relativamente rudimentares, maior contato entre homem e natureza, características do campesinato (pouco ou sem mecanização), entre outras.

Há inúmeras características relacionadas a quem busca o turismo rural. Dentre elas estão a busca do simples e autêntico, como uma reação ao estresse promovido pelos meio urbanos decorrente, sobretudo, da expansão industrial nas cidades. Sendo assim, o turista de forma geral busca tranquilidade, paz e relaxamento que o meio rural proporciona. Além dessas características, existem outras como o retorno da pessoa a seu habitat de origem, após anos, decorrente, principalmente, do “êxodo rural”. A busca por maior conhecimento, pelo diferente: monumentos, construções, aspectos sociais distintos, alimentação, contato com a cultura distante, entre outros exemplo.

A estratégia política sobre a reestruturação territorial, para alocar essa nova atividade pode ser de grande valia para a população, de forma geral, como melhorias em infraestrutura, nos meios de transportes e nas comunicações, podendo assim proporcionar o maior fluxo e interação com outros lugares e regiões em distintas escalas.

Entre outros exemplos que podem estar diretamente relacionados a esse turismo estão: a melhoria e garantia da qualidade de produtos e serviços oferecidos; a preservação dos espaços verdes e das características regionais; a organização do turismo segundo os elementos estruturais da região (um lago, um monumento, uma construção típica, uma festa popular, uma tradição local); a capacidade de hospedagem suficiente; o cuidado para não descaracterizar a região, isto é, não perder sua especificidade e originalidade; a oferta de comércio e serviços e a sinalização eficaz das estradas e cruzamento.

O êxodo rural, caracterizado de forma direta pela saída da população do campo para a cidade em busca de melhores condições de vida ganhou destaque sobretudo nas décadas de 50 a 60, ocasionado pela intensa urbanização e industrialização das grande metrópoles, como Rio de Janeiro (RJ) e São Paulo (SP). E, ao mesmo tempo, de políticas públicas agrícolas ineficientes que não conseguem manter o homem no campo.

Dessa forma, o turismo rural poderá gerar empregos para a mão de obra local, fazendo reverter ou atenuar, em certos casos, o processo de êxodo rural, sobretudo dos jovens, já que não precisam migrar para os grandes centros em busca de empregos, além de estimular a produção local, que está diretamente ligada a uma série de atividades produtivas, tais como produtos agrícolas, vestuários específicos, construções e serviços públicos, transporte e seguros. Consequentemente, gerando fonte de renda, maior circulação de capital e maior arrecadação com impostos (relacionados ao crescimento da atividade comercial).

Meio rural pode ser uma alternativa ao estresse urbano. 

Também é importante lembrar que o turismo rural explora e “capitaliza” o meio presente no espaço, gerando mais uma fonte de renda no campo, além da produção agrícola e pecuária. Haverá, portanto, uma outra opção de geração de renda e diversificação do mercado, no que tange ao comércio e serviços que, por ventura, possam valorizar a produção artesanal, básica nesses meios, como por exemplo: lamparinas, ferramentas, ou objetos de decoração. Enfim, com a possibilidade de acréscimo no fluxo de pessoas de outros espaços econômicos, o turismo rural estimula o consumo nas áreas onde ocorre, desencadeando o tradicional efeito multiplicador da atividade turística.

Inicialmente, é preciso deixar claro que o impacto do turismo rural acontece em várias escalas e distintos aspectos culturais, econômico, ambiental, social e político. Sendo assim, o turismo é um paradigma que precisa ser estudado e muito bem planejado, o que será ilustrado no decorrer do texto, relacionado ao desenvolvimento sustentável.

Dentre os aspectos socioculturais diretamente relacionados às comunidades receptoras, podendo sofrer alterações de comportamento dos diversos agentes envolvidos nas atividades, estão: produtores rurais (agricultores e pecuaristas), comerciantes e prestadores de serviços locais, moradores de residências secundárias e turistas.

Os produtores rurais (agricultores e pecuaristas) podem sofrer com grupos dominantes na exploração e na criação do ambiente físico e social, modelando o desenho da paisagem agrária pelas plantações, entre outros impactos. Os comerciantes e prestadores de serviços locais podem sofrer com a adequação ao meio, das propriedades e das comunidades rurais a essa alternativa de rendimento, através do atendimento aos visitantes originários das grandes cidades, comercializando sua autenticidade e originalidade. Isso constitui um desafio para eles. Os moradores de residências secundárias e turistas, inicialmente, são conceitos diferentes, os moradores apresentam de certa forma uma ligação com o território, pagando impostos e alterando o espaço de forma potencial, como comprando terrenos e proporcionado a especulação imobiliária, por exemplo.

Sobre o meio ambiente, há possibilidade de aumento acentuado de resíduos de forma geral, sejam sólidos, líquidos ou gasosos; destruição da vegetação; desrespeito às normas e às leis ambientais. Dependendo de como é feito o produto, ele ele pode gerar um impacto de grandes proporções, caso aumente o consumo de forma contínua. Ainda poderiam ser ilustrados inúmeros impactos ao espaço, como o crescimento da prostituição, aumento da violência, aculturamento, destruição do patrimônio, entre inúmeros impactos que proporcionam. Dessa forma, caso não haja um planejamento e uma estrutura pré-estabelecida pelos agentes de um determinado espaço, esse turismo não terá um desenvolvimento sustentável.

Só será sustentável se for voltado para a valorização do homem do campo, não obstante a estabilidade ecológica do meio natural. O conceito do turismo sustentável foi desenvolvido para evitar os riscos que a condução inadequada da atividade pode provocar no meio ambiente (o que pode ser de vários níveis e variedades).

Bonito, município localizado no Mato Grosso do Sul, recebeu investimentos do Programa de Desenvolvimento do Turismo, no valor de R$ 130 milhões, destinados a obras e programas de saneamento, pavimentação e incentivo ao turismo sustentável. Além disso, a cidade, já consagrada como polo turístico, será sede da Conferência Internacional de Ecoturismo deste ano.

O turismo sustentável é visto como a perfeita triangulação entre a destinação (hábitats e habitantes), os turistas e os prestadores de facilidades para os visitantes. Sendo assim, deve-se procurar adequar os interesses de cada um do triângulo, minimizando as tensões e buscando um desenvolvimento a longo prazo, pelo equilíbrio entre crescimento econômico e as necessidades de conservação do meio ambiente.

Para finalizar, segue uma lista de comportamentos ambientais corretos, veja:
• Controle de ruídos e lançamento de lixos;
• Respeito aos valores culturais das comunidades receptivas;
• Manutenção das paisagens intactas;
• Estímulo a uma estrutura social sadia nas comunidades;
• Promoção de uma excelente qualidade de vida e de repouso para os visitantes;
• Proteção à cultura e as características das comunidades receptoras;
• Valorização da paisagens e hábitos;
• Reconhecimento da economia rural;
• O crescimento a longo prazo da atividade turística, que estimulará a qualidade da experiência vivencial buscada pelos visitantes;
• A compreensão, a liderança e a visão a longo prazo entre os empreendedores.

Fonte: http://educacao.globo.com/artigo/turismo-rural.html

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