Congada e tropeirismo: devoção a Aparecida preserva tradições

Grupos mantém costumes dos antigos e ajudam a divulgar a fé à santa. Tradição é passada de geração em geração.

A devoção à Nossa Senhora Aparecida é um caminho, para grupos de fiéis, de preservarem tradições, costumes e a cultura que têm como centro a fé

Esse é o caso de um grupo de congada de Itapecerica (MG), criado em 2000 e que tem Aparecida como padroeira. A congada é um desfile, com dança e música, que tem origem em tradições africanas e que ganhou no Brasil e presença dos santos da igreja católica. (veja vídeo acima)

Para os integrantes, os encontros são uma forma de homenagear a padroeira e também manter a tradição aprendida com os avós.

O capitão – líder – da congada, César Reis Andrade, conta que atribui à Nossa Senhora a cura de um acidente. “Tenho muito que agradecer, porque ela me ajudou muito. Estive internado, fui operar a cabeça, todo mundo orou por mim, para Ela, e recebi essa graça.”

Ele não é o único do grupo que relata ter recebido um milagre por intercessão da santa. Airton Dias Silva conta que conseguiu sair do alcoolismo há nove anos. ” Para mim é um milagre de Nossa Senhora”, disse.

Juliano Claret sofreu um acidente de carro em novembro. “Após subir um morro não me lembro de mais nada, me deu um apagão e tenho certeza que Nossa Senhora passou o seu manto sobre mim e não deixou que eu batesse em outro carro, pois eu estava inconsciente e não vi se vinha carro do lado oposto da pista”, relata.

Segundo ele, o carro ficou destruído, mas ele teve poucos ferimentos. Em novembro, ele pretende comemorar um ano de seu ‘renascimento’.

O grupo mantém uma rotina de participação em eventos de cidades mineiras. Participam das atividades os membros mais velhos e também jovens e crianças. Uma preocupação do grupo é transmitir a cultura por gerações.

Cavalgada

A vontade de manter a tradição tropeira se une à devoção a Nossa Senhora para um grupo de Assis (SP), que, anualmente, desde 2008, segue em romaria a cavalo para o Santuário Nacional. O trajeto de 400 quilômetros entre Tambaú (SP) e Aparecida tem duração de dez dias.

“A cavalgada nunca é fácil e a primeira foi um desafio. A gente segue em grupo e reveza os cavalos. Come e dorme como os antigos tropeiros, é um momento de reflexão”, explica Givanildo Araújo, de 40 anos, da Associação dos Tropeiros de Assis (ATA).

As tropas originalmente eram formadas por mulas, usadas para locomoção e transporte de produtos no país no século 18.

Uma promessa feita por ele à Aparecida deu início à romaria. Araújo obteve da santa a proteção para abrir um negócio, depois que ele e a esposa deixaram os empregos para montar uma loja.

No trajeto até Aparecida, o grupo aproveita para se dedicar à espiritualidade. “Todo dia, depois do café da manhã, a gente reza o terço e lê a Bíblia. Aí alguém medita e todos podem falar sobre o que vier ao seu coração. Tem marmanjo chorando, tem gente que conta as graças alcançadas. É muito bonito. A cavalgada, a tropa, virou uma reflexão em nossa vida”, disse.

Fonte: https://g1.globo.com/

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