Viagem acessível

Texto publicado pelo Portal do Ministério do Turismo no Dia da Luta da Pessoa com Deficiência, conheça as histórias que mostram que nem mesmo as limitações conseguem tirar o prazer de viajar pelo Brasil.

Viajar é experimentar novidades, conhecer lugares, degustar sabores e, por que não, se aventurar? No Brasil, o que não faltam são lugares capazes de surpreender e encantar os mais variados gostos e interesses, mas é preciso garantir que o turismo esteja acessível para todos viajantes, respeitando as necessidades de cada um. E nesta quinta-feira (21) marcada pelo Dia da Luta da Pessoa com Deficiência, a Agência de Notícias do Turismo relembra algumas iniciativas do Ministério do Turismo para os viajantes com deficiência.

É o caso do Guia Turismo Acessível, um site que fornece ao viajante consultas e avaliações de estabelecimentos e atrações que tenham acessibilidade. Com a ferramenta, o turista localiza bares, restaurantes, atrativos e empreendimentos que mantenham rampas de acesso, cardápio em braile, mesas exclusivas e símbolos gráficos de acessibilidade.

A ferramenta é colaborativa e quanto mais informações forem dadas pelos viajantes, mais completa será. O Guia também está disponível em forma de aplicativo, nos idiomas português, inglês e espanhol. Ele pode ser baixado gratuitamente na loja da Windows Phone, Apple Store e Google Play.

Ser bem recebido também faz parte do pacote de quem viaja pelo país. Para isso, o MTur lançou, em 2016, a cartilha “Dicas para atender bem turistas com deficiência”, destinada a prestadores e gestores de serviços turísticos. Nela, estão informações gerais e dicas práticas sobre como atender bem este importante público consumidor, afim de tornar o turismo uma experiência agradável e segura para todos.  As iniciativas fazem parte do Programa Turismo Acessível, que realiza ações voltadas à promoção da inclusão social e do acesso de pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida em atividades turísticas. Entre 2006 e 2016, a Pasta investiu mais de R$ 82 milhões em obras de acessibilidade.

“Umas das preocupações do Ministério do Turismo é de garantir que nossos atrativos naturais, históricos e culturais sejam conhecidos por todos os brasileiros e para isso temos investido na questão do turismo acessível. Ainda temos um caminho a percorrer mas acredito que estamos no rumo certo”, afirmou a secretária nacional de Qualificação e Promoção do Turismo, Teté Bezerra.

ROTEIROS – O Parque Nacional de Chapada dos Guimarães recebeu, em julho, um equipamento capaz de conduzir pessoas com dificuldade de locomoção pelas trilhas da unidade de conservação. Batizada de Julietti, a cadeira de rodas criada especialmente para trilhas por regiões planas e desniveladas. O equipamento foi idealizado pelo engenheiro Guilherme Cordeiro, depois que sua esposa Juliana Tozzi passou a ter dificuldades de locomoção em razão de uma síndrome neurológica rara. Assim, o casal pôde voltar a trilhar junto.

A iniciativa ganhou repercussão e deu origem ao Montanha para Todos, projeto que promove a inclusão de pessoas com deficiência em atividades de lazer no meio ambiente. Desde então, as cadeiras de rodas adaptadas – chamadas de Julietti, em homenagem à Juliana, têm sido doadas pelo casal a instituições filantrópicas e parques nacionais pelo Brasil. Até o momento, nove unidades já foram entregues. Inicialmente, os atrativos que podem ser visitados com o uso da Julietti são o mirante do Véu de Noiva e a cachoeira dos Namorados, por oferecerem percursos mais suaves. Para usar a cadeira, é preciso fazer reserva no site do ICMBio ou pelo telefone (65) 3301-1133.

No Parque Nacional do Iguaçu, rampas, elevadores e até uma espécie de bondinho transformaram uma das principais atrações do parque, o Macuco Safári, em um dos mais novos atrativos acessíveis no Brasil. Todo o trajeto é inclusivo e todas as pessoas com mobilidade reduzida ou que fazem uso da cadeira de rodas são atendidas com soluções pensadas em permitir que elas aproveitem ao máximo o passeio no lugar conhecido mundialmente pelas Cataratas do Iguaçu, que ostenta o título de Patrimônio Natural da Humanidade, concedido pela Unesco.

TURISTAS – A paulistana Mellina Hernandes, 34 anos, e sua cão-guia Hilary, são viajantes fiéis e contam até com um blog para narrar as experiências que as duas têm juntas. Diagnosticada com uma doença degenerativa, que retirou sua capacidade de enxergar, a mulher viu na labradora preta uma companheira de viagem e, juntas, já curtiram cidades no sul, sudeste e nordeste.

Agora, as duas estão repetindo a experiência no nordeste e curtindo as praias de Fortaleza (CE) e Salvador (BA). “Minha visão piorou em 2011 e eu tive que enxergar o mundo de outra forma e me adaptar para continuar viajando. Quando a Hilary chegou na minha vida, em 2014, as viagens ficaram melhores, pois onde passamos somos bem recepcionadas e sentimos o carinho das pessoas”, explica Mellina.

O pernambucano Júlio César Barreto, 23 anos, nasceu com deficiência visual e não deixou que esse fato tornasse empecilho para viajar. Ele investe em mochilões e o último deles foi conhecer, sozinho, os lençóis maranhenses. “Era um desejo que resolvi transformar em realidade. Programei a viagem toda pelo celular, comprei passagem, reservei hostel e fui”, afirma o jovem.

Quando perguntado sobre as dificuldades do passeio, Júlio explica que a cidade estava preparada para receber um turista com deficiência. “Contratei passeios com guias que descreviam as paisagens para mim, me deram suporte durante as trilhas e eu pude praticar esportes radicais, que é algo que eu amo. Os outros turistas também ajudam muito, conversam, perguntam se preciso de apoio”, relata.

Fonte: http://www.turismo.gov.br/

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