Serra da Bocaina: a melhor viagem perto do Rio que você não fez

Excelente matéria de Marcelle Ribeiro  do site viciadaemviajar.com, sobre roteiro de viagem na Serra da Bocaina, citando como referência o mapa e o Roteiros Caminhos da Corte.

Se você é como eu, que vive em busca de lugares próximos ao Rio de Janeiro para uma viagem curta, de três dias, e adora natureza, vou te apresentar um destino belíssimo, sobre o qual muita gente que mora na capital fluminense nunca ouviu falar: Serra da Bocaina. Você gosta de trilhas e cachoeiras altas e com bom poço para banho? Tem lá. Você quer um lugar a menos de 3h de viagem de carro? Lá é assim. Você adora um clima de sossego de fazenda e uma comidinha no fogão à lenha? A Serra da Bocaina tem. Uai, mas onde fica esse lugar, gente?

A Serra da Bocaina é uma área gigante de Mata Atlântica, de montanhas, que fica na divisa dos estados de São Paulo e Rio de Janeiro, próxima às cidades de Paraty, Resende e Barra Mansa. Há inúmeras cachoeiras espalhadas, mas as cidades que reúnem mais atrações são Bananal e São José do Barreiro, ambas em São Paulo. Dependendo das trilhas que você quer fazer, é melhor se hospedar em uma ou outra. Também há cachoeiras perto das cidades de Areias.

Apesar de lindíssima, essa região é pouco visitada, porque há até pouco tempo atrás, as estradas até as atrações eram super precárias, a ponto de ser fundamental veículo 4×4 para chegar lá. E mesmo quem tinha 4×4 sofria, porque com estradas ruins, as pousadas da parte alta da Serra podiam cobrar diárias absurdas. Por isso, muita gente nunca ouviu falar das belezas de lá.

Eu já namorava a ideia de visitar a Bocaina há tempos, até que a minha família adquiriu um carro mais potente esse ano. E olha que maravilha, as estradas foram melhoradas significativamente (com asfalto ou brita). Ou seja, mesmo com carro comum (sem tração 4×2 ou 4×4) agora é possível visitar a Serra da Bocaina. Eu não podia perder essa oportunidade.

É uma viagem que cabe bem em um feriado de três dias. Você leva entre 2h30 e 3h para chegar a Bananal, primeira cidade mais próxima do Rio, onde há diversos hotéis-fazenda e cachoeiras. Mas é claro que, em três dias, terá que fazer escolhas, pois há muitas trilhas a fazer. Em três dias eu e minha irmã conhecemos apenas as 2 quedas d’água mais bonitas de lá (uma em Bananal e outra em São José do Barreiro) e uma terceira, em Bananal, que também é bem linda. Escolher não foi fácil e já estou planejando uma outra viagem para a região.

As diárias dos hotéis não são exatamente baratas, mas é que quase todos só trabalham no esquema pensão completa, com todas as refeições incluídas. Em compensação, as trilhas podem ser feitas sem guia, sem nenhum problema, e em muitas delas não há cobrança de entrada (ou seja, você evita gastos nas atrações).

O mais difícil foi encontrar um mapa só reunindo todas as atrações da Serra da Bocaina como um todo. Eu só encontrava mapas que mostrassem ou as cachoeiras de Bananal ou as de São José do Barreiro. O melhor mapa para ter uma ideia geral da Serra da Bocaina é esse aqui (veja em detalhes e com legendas no site Caminhos da Corte):

Reprodução de http://www.caminhosdacorte.com.br/portal/roteiros/mapa-do-roteiro/

O site Caminhos da Corte, aliás, foi a melhor fonte de dados sobre a região, pois informa, cidade por cidade, quais são os atrativos, hotéis e restaurantes da Serra da Bocaina.

O que fazer:

São tantas cachoeiras na Bocaina que foi difícil escolher onde ir. Pesquisamos fotos e informações sobre as próximas a Bananal no site da Pousada da Terra, que é bem completo, com mapa e distâncias a serem percorridas nas trilhas.

Extraído de http://www.serradabocaina.com.br/#!/zoom/c1e3h/c1v3f

Pesquisamos sobre São José do Barreiro no site Explore Brasil, e no site da prefeitura, onde achamos um mapa interessante (veja abaixo). O site do Parque Nacional da Serra da Bocaina é ótimo, mas só informa sobre as cachoeiras que ficam dentro do parque, como a de Santo Izidro (e a maioria das cachoeiras fica fora dele).

Extraído de http://www.saojosedobarreiro.sp.gov.br/pdf/Guia-turistico-2.jpg

Depois de muita pesquisa, nosso roteiro de três dias de viagem ficou assim:

Dia 1 – Viagem do Rio para Bananal pela manhã. No fim da manhã e início da tarde, fizemos a trilha para a Cachoeira do Bracuí, perto de Bananal, a mais bonita da região, pois tem uma vista inesquecível na baía de Angra dos Reis. Dormimos em Bananal.

Cachoeira do Bracuíd e a vista da baía de Angra ao fundo. Foto: Marcelle Ribeiro

Dia 2 – Bate-volta de Bananal a São José do Barreiro para conhecer a cachoeira de Santo Izidro, uma das que ficam oficialmente dentro do Parque Nacional da Serra da Bocaina. Dormimos em Bananal.

Cachoeira de Santo Izidro, em S. J. do Barreiro. Foto: Marcelle Ribeiro

Dia 3 – Trilha curtíssima para conhecer 4 cachoeiras que compõem a Cachoeira das Sete Quedas, perto de Bananal. À tarde, viagem de volta para o Rio.

Cachoeiras que também estavam na nossa lista de “finalistas” para conhecer e que serão visitadas em uma próxima viagem: da Onça, perto de Bananal; das Sereias, também próxima a Bananal; e das Posses, perto de São José do Barreiro. Além destas, há várias outras, de diferentes níveis de dificuldade.

Nosso critério para escolher as três que visitamos foram: altura da queda d’água, beleza da vista da região e nível de dificuldade da trilha entre leve e moderado. Vou descrever tudinho sobre as cachoeiras do Bracuí, de Santo Izidro e das Sete Quedas em um próximo post.

Quem tem mais dias disponíveis ou melhor condicionamento físico, tem ainda mais opções, entre elas fazer a trilha do ouro, que leva três dias (são 53 km!) e permite conhecer o caminho usado no século XVIII para escoar ouro de Minas Gerais até Angra dos Reis (RJ).

Além das trilhas, você pode fazer um passeio rápido pelo centro das cidades, que têm construções históricas, como a estação de trem de Bananal (de 1889!!), a pracinha com coreto dessa cidade, e igrejinhas e casas coloridas em São José do Barreiro. Nós fizemos uma rápida parada nesses lugares, só para fotos mesmo. Outras atrações são as fazendas históricas da época áurea do café, que ficam em Bananal, Areias e São José do Barreiro. Algumas até viraram hotéis-fazenda. Nós gostaríamos de ter visitado a Fazenda Resgate, em Bananal, de 1828, que preserva móveis históricos e tem cômodos que fazem lembrar da época da escravidão. Uma pena que quando fomos ela não estava aberta à visitação. Como ela é uma propriedade privada tombada pelo IPHAN, é preciso ligar para agendar visitas (tel: 12-3116-1577). Normalmente não abre aos finais de semana.

Igrejinha em São José do Barreiro. Foto: Marcelle Ribeiro

Casinhas coloridas em em São José do Barreiro. Foto: Marcelle Ribeiro

Estação de trem e locomotiva em Bananal. Foto: Marcelle Ribeiro

Onde ficar:

Como eu disse acima, escolha a cidade mais próxima das atrações que quer visitar. Há opções de hospedagem em:

– Centro ou “região baixa” de Bananal – A vantagem aqui é estar perto do Centrinho ou nele, perto de farmácia, mercado, banco, e algumas opções de restaurante. Mas para ir até as cachoeiras de Bananal, você terá que subir a serra (cerca de 25 km que você levará uns 40 a 50 minutos para percorrer, pois apesar de a estrada ter sido quase toda asfaltada, é sinuosa). Nós nos hospedamos um pouquinho antes da chegada à Bananal, entre Barra Mansa e Bananal. Ficamos na Fazenda Três Barras, que é do final do século XIX. Há muitas opções de lazer dentro do próprio hotel-fazenda, como piscinas com tobogã, lago, cavalo, sauna, mesa de totó, parquinho e quadra de tênis.

Não voltaria a ficar lá porque achei as suítes (tipo de hospedagem mais barata) muito mal cuidadas, com banheiro feinho, ventilador sujo, frigobar e tv velhos. Nós preferimos nos mudar para um chalé com ar condicionado, mais bonitinho e confortável, mas mais caro. A diária (R$ 340 para duas pessoas no feriado de 2 de novembro) incluía pensão completa.

Gostamos do café da manhã e do lanche da noite, mas achamos o almoço com poucas opções e simples demais. Além disso, o almoço e o lanche da noite se encerram muito cedo. O almoço vai de 12h às 15h e em dois dias não conseguimos chegar no hotel até às 15h. O lanche da noite é servido das 18h às 20h. O salão de refeições também é mal cuidado (paredes e cadeiras precisam de uma pintura urgente!).

Hotel-fazenda Três Barras, em Bananal. Foto: Marcelle Ribeiro

– Alto da serra de Bananal – Se resolver se hospedar nessa região, você estará mais próximo das cachoeiras de Bananal, mas mais longe de farmácia, banco, posto de gasolina, etc. E vai levar mais tempo para ir até São José do Barreiro, pois terá que descer a serra para pegar a estrada para lá. Há apenas um restaurante no alto da serra, o do camping Chez Bruna.

– Centro ou região baixa de São José do Barreiro – Fiquei com a impressão que São José do Barreiro tem mais opções de pousada de maneira geral que Bananal. No Centro há algumas opções de restaurante. Para ir às cachoeiras, você terá que subir a serra (cerca de 25km, leva-se uns 40 a 50 minutos para ir de carro pela estrada de brita e asfaltada apenas nos trechos mais íngremes).

– Alto da serra de São José do Barreiro – Você estará hospedado perto das cachoeiras e em meio à Mata Atlântica, mas terá que fazer as refeições na própria pousada, pois o único restaurante no alto da Serra aberto ao público é o da pousada Lageado.

Saiba desde já que como a internet é precária de maneira geral na Serra da Bocaina, a maior parte das pousadas e hotéis-fazenda não estão cadastrados em sites de busca como o Booking (veja as opções de Bananal que estão no Booking neste link aqui). O site Caminhos da Corte, que já indiquei acima, é um dos que reúne mais nomes e contatos de meios de hospedagem na região. Muitos hotéis-fazenda demoram dias para responder emails e, em alguns casos, eu só consegui descobrir valores de diárias telefonando para lá.

Como chegar e como circular:

Ir de carro é fundamental para conhecer a Serra da Bocaina. Apesar de ser possível ir de ônibus até São José do Barreiro e Bananal, não há transporte público para o alto das serras dessas cidades, onde ficam as cachoeiras. Em Bananal, não descobri sequer agência de turismo que faça passeios a partir do centro da cidade. Em São José do Barreiro, há a MW Trekking, agência que faz alguns passeios em trilhas e cachoeiras, mas apenas pela região desta cidade (e não leva às cachoeiras de Bananal).

Um carro 1.0 sobe as serras e te leva até o início das trilhas? Sobe, principalmente em Bananal, onde a estrada está quase que completamente asfaltada. Mas prepare-se para pegar alguns trechos bastante íngremes. Em São José do Barreiro, a estrada é de brita (perenizada) e apenas as partes mais íngremes têm asfalto. Também dá para ir de carro 1.0, mas se você tiver um carro alto ou mais potente, estará bem mais tranquilo. Nós fomos de carro alto e tração 4×2.

Para ir do Rio de Janeiro até Bananal (154 km no total), pegamos a Rodovia Presidente Dutra e deixamos a rodovia na saída 273, quando seguimos as placas para Bananal, pegando a rodovia SP-064. Saímos da SP-064 na rotatória onde vimos placa para Bananal.

Onde comer:

A maior parte dos hotéis-fazenda de Bananal e São José do Barreiro funciona no esquema pensão completa, justamente porque não há muitas opções de restaurantes nas cidades.

No alto da serra de Bananal, comemos no restaurante do camping Chez Bruna, que serve uma deliciosa comida caseira no fogão à lenha. Tinha pastinha de truta, truta, linguicinha, frango, saladas, feijão, e vários acompanhamentos, além de sobremesas. O buffet livre custava R$ 50 por pessoa, sem bebidas (só aceitam dinheiro ou cheque). As mesinhas ficam num delicioso jardim, bem agradável. Tudo estava muito gostoso. E o melhor: funciona para almoço a tarde inteira, até às 18h.

Restaurante do Chez Bruna, em Bananal. Foto: Marcelle Ribeiro

Em São José do Barreiro, comemos em um ótimo comida a quilo pertinho da estrada que leva ao alto da Serra, o Rancho São José do Barreiro. Tinha comidinha no fogão a lenha e saladas (cerca de R$ 45 o quilo), em um casarão antigo, bem decorado e com mesinhas na varanda em frente a uma praça. Funciona das 11h às 23h. Fica na Praça Coronel Cunha  Lara, 61, no Centro da cidade.

Rancho São José do Barreiro. Foto: Marcelle Ribeiro

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Fonte: http://www.viciadaemviajar.com/

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